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Cortejo Poético Performático - Dia Nacional da Poesia

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Do Tempo de Amar*

O sofrimento uma pena, Se quando se faz o bem Por vezes a gente sofre, Se quando se faz o mal A gente sofre também... Daí ninguém é de ninguém, Todo mundo dor do mundo, Esperança que cai o cais Nos levando junto e fundo. Assim prossegue no tempo, Viver precisa ilusão, Volta os amores incertos, Volta às vezes gratidão. A mesma pena que pesa, Mesma que nos alça voo −Seja essa única certeza−, Me volto, me pego e entoo: Um amor é sempre vindo Do que no sou ar eu soo, Do que no prazer é lindo E que no sofrer eu doo. * Poema publicado no jornal Poesia em Trânsito (fevereiro 2014), tiragem de 30 mil exemplares distribuídos gratuitamente em ônibus e estações de Salvador-BA, projeto aprovado no edital Arte em Toda Parte - Fundação Gregório de Mattos.

OFICINA DE LITERATURA DE CORDEL

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Do Sarau P'r'o Varal

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No Visca Sabor e Arte - Rio Vermelho

Que mil flores desabrochem

          Não tenho exposto há tempos no virtual. Tenho sim, suportado a realidade com paciência e persistência dum jovem ancião. Contudo, é hora de balanço anual do meu trabalho como arte-educador. Nesse ano em que deixei muita coisa de lado por motivos pessoais, inda foi produtivo nesse aspecto. Deixarei agora de lado os mini-cursos e fixarei num projeto literário de médio prazo realizado na Escola Estadual Roberto Santos – Narandiba/Salvador em parceria com a Associação Cultural do Cabula e apoiado pela Secretaria de Educação do Estado através do TAL (Tempo de Arte Literária).           Quando tanto sentimos o negativo é tempo de falarmos do positivo.           Uma das oficinas que ministrei foi a de produção de poemas para alunos do sexto ano matutino. Eram duas turmas totalmente opostas, uma hiperativa a outra apática. As duas produ...

Cantiga de Primavera

Primavera não tenho mais certeza, Semeando eu serei semeador... Primavera a semente desse meu amor Plantada nesse tempo de incerteza, Quando em estio a minha natureza D’água só tinha lágrima de dor. Primavera não tenho mais certeza... Será a Terra redonda, noite escura, Tempo que faz da lágrima secura, Do espaço um infinito de beleza... Primavera só tenho uma tristeza Sem saber se de tristeza se cura. Primavera não tenho mais certeza Se inda lhe toca tão antigo canto, Quando tudo parece muito e tanto, Num mundo que nem pena tem leveza Nem luzes sabem quando e quanto acesa Nem corações sabem desse quebranto. Primavera não tenho mais certeza, Se no inverno no outono no verão, Se será na cantiga ou na canção Que erguerei solitário fortaleza, Primavera lhe digo com franqueza, As incertezas só caminharão.

Dos poemas antes postados

         Há poucos dias escrevi um soneto. Ontem entreguei no destino. O soneto como outros poemas não serão postados aqui. Pensarão então em qual critério faz um estar e outro não. O critério apareceu com o tempo. Hoje vários poemas não postaria, principalmente os primeiros, dos dias tenebrosos d’uma muda de espírito. Os outros são exercícios, exercícios de comunicação poética.          Da forma bela p’r’uma bela forma.          Uns bons exercícios, outros não tão bem executados. Importante é que foram úteis no aprendizado de novas formas ou variações p’r’os nossos versos populares. Uns fiz para amigas de carne e osso, outros p’ra gente que circula nesse real que não é atual. Peço obrigado a quem cedeu fotos que inspiraram e ilustraram essa fase do blog. Agora, falando sério, a fase é outra.          A muda do espíri...

Tatuado um Riso

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Corpo vestido Por tatuagem Corpo desnudo Com sua margem Torpor dum verso Com sua imagem Em seu sorriso A desvantagem... Vantagem a fêmea Com seu sorriso Logo imagino Um torto verso Sendo sem margem Todo desnudo Mas tatuado E revestido Numa beleza.

Reflexão Sobre Conterrânea

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Se pensa na conta, eu conto a beleza, com toda a certeza pois a foto aponta o que aos céus afronta de tão espontânea, que até coletânea jamais, nunca finda da presença linda tão contemporânea.

Cantiga à amiga negra

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Foto: Jorge X Se fosse um quadro, uma moldura, era loucura. Mas é pureza do que se chama beleza negra... Tão fino traço que me embaraço em curtos versos, em curtos passos... Tão belos lábios que até o céu muda daquele azul se recompondo em sua foto... em sua foto que céu reflete e se escurece... e se escurece.

Dois Versos, Uma Moça

A Bahia de negra graça Faz na beleza da raça... A moça de lindos traços O sorriso o rio largo Os cachos coqueiro alto Os olhos jambos em salto Onde encontrei meus dois versos: A Bahia de negra graça Faz na beleza da raça...

As origens do nosso verso popular

II  “Quando um homem de nosso tempo é extravagante a ponto de desejar familiarizar-se, tanto emocionalmente como intelectualmente, com uma época tão fora de moda como o séc. XII, poderá tentar consegui-lo de diversas maneiras”, escreve Mestre Ezra Pound no seu referido ensaio. As maneiras sugeridas pelo mestre são basicamente três: ler as próprias canções nos livros antigos ou pergaminhos cobertos de iluminuras; tentar ouvir os versos acompanhados de música; e ainda, percorrer em pesquisa as estradas das colinas e dos rios da região de Provença. Como nosso objetivo é outro, iremos aproveitar, no possível, sugestões dos mestres anteriores em relação ao método.                 As trovas não têm fim.                 Da região de Provença foram para Espanha e de lá para a Galícia. Nosso segundo guia é o Roteiro Literário ...

Desviando o Caminho

A bailarina Tem quatro mãos Que tocam vãos Da nossa sina Que se destina Saber planar Saber tocar Todos espaços Em tais compassos Se equilibrar. Sabe planar A equilibrar A bailarina Na nossa sina Em tais compassos Todos espaços Que tocam vãos Com quatro mãos E mão destina Saber tocar. Tem quatro mãos A bailarina E mão destina Equilibrar Saber planar Na nossa sina Em tais compassos Saber tocar Todos espaços Dos toques vãos.

As origens do nosso verso popular

          I           Em outros dois pequenos ensaios postados aqui falei do trovador. Um pouco da matriz portuguesa, já largamente difundida, como da matriz africana, que por muito tem sido desprezada. A nossa literatura popular em verso sofreu a confluência da cultura negra (com seus cantadores) e indígena (no seu contato com os jesuítas), logo, sua formação e evolução difere daquela vinda dos trovadores da península ibérica, esses mesmos influenciados pela cultura árabe-negra em suas origens.           Vamos por tempo tratar do tipo europeu.           Num belo e erudito ensaio “Trovadores – tipos e condições” do mestre vanguardista Ezra Pound, que nos servirá como primeiro guia, ele diz que “A fortuna dos trovadores variava tanto quanto sua categoria, e eles provinham de todas as classes ...

Cantiga à Bela Citadina

No lugar que exploram, moça, Mais-valia da beleza, Canto versos novamente. Aqui o sol é luz acesa, Aqui o frio é geladeira, Aqui a feira é fortaleza... Canto versos novamente. Onde repousa meu olhar Porém tudo é natureza, Natureza sinuosa, Como as curvas duma serra, Vales com fonte formosa, Montes de forma manhosa Onde repousa meu olhar... Canto versos novamente, Quem dera explorar seus montes Subindo com mãos a serra, No pico descer aos vales, Dos vales correr na terra Escura e de chão macio Onde repousa meu olhar... Onde exploram a beleza Canto versos novamente...

História de Índio

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No buraco da chuva Tem garça grande E menino índio que no céu ande Se pondo a perturbar. O menino danado, Sabendo que garça tampa buraco, Jogou grande pescado P'rá garça traçar. Ela pescou peixe dourado, Depois d'um pé só ficou... Assim se acostumou, Aí a chuva se criou.

TURBANTE AOS OLHOS

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Espero que Tempo ajude, Faço pedido a Oxalá Pois é tão bonita a moça Para que veja sem olhar... A moça que abaixo os olhos, Iaiá desse lindo ojá. Trago do tempo da roça A forma de se encantar, Torço seu torço no verso Sem saber o que falar... Desvio, olho, se não olha, Ojá dessa linda iaiá.

PARA MOÇA E A VIDA BAMBA

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Foto: Fabiana Maia A vida, essa corda bamba, E esse equilíbrio da moça Superando a força bruta, A gravidade dos fatos... A vida, esse belo samba, E esse equilíbrio de acordes Supera todo silêncio Da gravidade dos fatos... Lembro da moça nas lutas E quem luta, luta sempre; Desequilíbrio dos fatos Para o equilíbrio da vida. A vida que acorda em samba, A vida que acorda a bamba Na gravidade dos fatos Que seu sorriso supera.

A Literatura de Cordel e a Influência Africana

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Praça Inácio da Catingueira em Catingueira Paraíba Fonte da Imagem: http://lindeiltonleite.blogspot.com/2009_05_01_archive.html      Quando se pergunta as origens de nossa literatura de cordel a resposta é sempre a mesma: o cordel tem origem lusitana. Os cordelistas da academia difundiram essa tese com base nos estudos de Luís da Câmara Cascudo, contudo, se lermos com atenção o mesmo autor, veremos que não é bem assim. Há poucos dias recebi de presente do amigo Carlos Verçosa, mestre em haicai, quando fui beber um Jatobá lá no Sodré, onde viveu e morreu Castro Alves, dois volumes da Fundação Casa Rui Barbosa intitulado “Literatura Popular em Versos” um de Estudos e outro de Antologia. Foi o que faltava para embasar o que eu e outros poetas populares já sabíamos: a literatura de cordel brasileira também tem origem africana. Deixo a palavra agora com Manuel Diégues Júnior no seu estudo “Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel” do referido volume: Esta ...

Inspirado em foto de moça distante

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                                      Foto do ensaio "CorpoRevelado" por Marina Silva Nem sei os passos da moça, De tão linda fiz poema, Escolhendo a foto por voto Nem se preocupei com tema. E sem saber dessas normas, Sei da expressão de tristeza, Sei da expressão de ternura, Sei na meiguice a grandeza E sei no gesto o suave, A elegância e a fineza. Não sei se a moça olhava a terra, Como mãe de carne e sangue; Quem sabe expressão mais dura De alguma coisa que nos zangue. E quem sabe da beleza Sabe bem que impressiona Entrego esses versos singelos De quem a beleza é dona.