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Mostrando postagens de Março, 2011

A Literatura de Cordel e a Influência Africana

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Quando se pergunta as origens de nossa literatura de cordel a resposta é sempre a mesma: o cordel tem origem lusitana. Os cordelistas da academia difundiram essa tese com base nos estudos de Luís da Câmara Cascudo, contudo, se lermos com atenção o mesmo autor, veremos que não é bem assim. Há poucos dias recebi de presente do amigo Carlos Verçosa, mestre em haicai, quando fui beber um Jatobá lá no Sodré, onde viveu e morreu Castro Alves, dois volumes da Fundação Casa Rui Barbosa intitulado “Literatura Popular em Versos” um de Estudos e outro de Antologia. Foi o que faltava para embasar o que eu e outros poetas populares já sabíamos: a literatura de cordel brasileira também tem origem africana. Deixo a palavra agora com Manuel Diégues Júnior no seu estudo “Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel” do referido volume:

Esta influência, de origem lusitana, da cantoria dos fatos acontecidos e da formação do grupo para ouvir a leitura ou o canto narrado, não foi única; aqui no territóri…

Inspirado em foto de moça distante

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Foto do ensaio "CorpoRevelado" por Marina Silva

Nem sei os passos da moça, De tão linda fiz poema, Escolhendo a foto por voto Nem se preocupei com tema.
E sem saber dessas normas, Sei da expressão de tristeza, Sei da expressão de ternura, Sei na meiguice a grandeza E sei no gesto o suave, A elegância e a fineza.
Não sei se a moça olhava a terra, Como mãe de carne e sangue; Quem sabe expressão mais dura De alguma coisa que nos zangue.
E quem sabe da beleza Sabe bem que impressiona Entrego esses versos singelos De quem a beleza é dona.

Bloco Boca de Brasa - Carnaval de Salvador 2011

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Letra da nossa marchinha

Sou viciado em viver
A vida fazendo versos...

Poeta de peito aberto
P'ra todas dores do mundo
No carnaval vamos fundo
Marchando até no deserto...

Sou viciado em viver
A vida fazendo versos...

No Galope Martelando o Carnaval

A Bahia que é terra da alegria
Com a tristeza debaixo do tapete,
É madrasta que bate com cacete,
Espremendo nas cordas da folia
Todo filho que não compra a alforria
P’ros galopes do inverso do divino,
Com cordeiros de Deus cantando em hino
O nocaute no pobre moribundo;
Ôh mundinho que raso não vai fundo,
No qual funda a tristeza e o desatino.