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DÉCIMAS

DO TODO DA PARTE PRIVADA                                       O todo sem a parte não é todo,                                       A parte sem o todo não é parte...                                                                      ...

PEQUENO ROMANCE DE AMOR

Ela uma bela evangélica, Ele um poeta pagão, Um dia os dois se encontraram Por coisas do coração, Sendo amor sempre semente Que brota com pés no chão... Ela dele não sabia Além duns versos que fez, Ele dela só sabia Que acordava o Sol a seis E trabalhava até a noite Num suor de mês a mês. Sendo o amor sempre semente Que brota num sim ou não, Ela resolveu a partida Por um outro cidadão, O poeta calou o verso Não fazendo mais refrão. Ela ficou sem dormir, Mas a vida continua... Passando tempo quem sabe Vê seu sorriso na lua, Lembra do poeta triste Que sumiu da vida sua.

Segunda Trova para Lee

No interior se vê estrela, Dois arco-íris no horizonte, O rio que passa calmo, A água que brota da fonte. Rabiscando traço versos... Penso em você lentamente; No interior se vê estrela, O céu é o amor em semente. De dia gente na praça Jogando conversa fora, Dois arco-íris no horizonte, Um amor que nasce agora. O rio que passa calmo E calmo passa a canoa, Penso em você novamente Pensamento voa a toa. Quem sabe rio seremos, Água a brotar no horizonte, Uma noite que vê estrela, Manhã de arco-íris na fonte.

Dia das Bruxas

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Por Paulo Luz

QUEM PADECE SE APAIXONA

Trova para Lee Dizem que os samurais, Lee, Após um dia de guerra, Escrevem lindos poemas De sol e lua, céu e terra... Pena não sou samurai, Pois seu traço me distrai Para o horizonte que se erra... E no horizonte que eu erro Seus olhos são sóis se pondo, Seus lábios lua sorrindo, Seu sorriso o céu compondo, Mas não sou samurai, Lee, Sou apenas um aprendiz Desses versos que arredondo. Nos versos arredondados, Você em todas as flores, Você em todos os passos, Você em todas as cores, Você em minha alegria, Você na noite e no dia, Nos cantos e nos cantores. Sei que os cantos dos cantores São tantos pra lhe encantar, E esses versos tão pobres Como pobre é meu falar, Queria ser samurai, Aquele que nunca cai Pela graça dum olhar.

A TERRA DO BARRO

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                                     Barro de valor                               Quando ele pisado                               Depois repisado                               Pelo amassador,                              ...

O Corpo do Verso I

      Quando o caso é extenso melhor dividir em partes.      Em outro pequeno ensaio postado aqui falei do ritmo poético*. Prometi falar da métrica. Aconselho aos navegantes retornar a ele. Não que se trate de assunto difícil, mas é que a ordem do dito aqui pode alterar o produto do lido aí.      Como não tenho cumprido muitas promessas feitas nas postagens anteriores, sem muita demora vamos ao assunto.      O ritmo é o espírito das palavras, o metro é o corpo do verso. Ou, academicamente falando, o metro é o modelo, a competência da qual o ritmo é a realização individual, o desempenho, a performance.      No mesmo metro existe vários ritmos. Existe o mesmo ritmo em metros diferentes. E isso serve tanto pros poemas de verso dito livre como pros de métrica silábico-acentual.              ...

Corpus Presente

                    Fui corpus presente dum seminário "O Cordel de Osmar Machado Júnior", da turma 17 de Língua Portuguesa, Poder e Diversidade Cultural do Bacharelado Interdiscisplinar em Humanidades da UFBA. Agradeço aqui à dedicação dos alunos e alunas: Angela Lage Camilla Cruz Joane Miguel Bispo Sergio Paiva Misael Santos. Quem quiser dar uma olhada no trabalho da turma é só baixar no endereço: http://www.4shared.com/document/8pxzj1rn/O_CORDEL_DE_OSMAR_MACHADO_JUNI.html

Cai cai balão... cadê meu São João...

          Começou os festejos juninos e momento de festa não é de reflexão. Além dos festejos, a copa do mundo toma todas as conversas analíticas nos bares da capital e do interior. Então, o correto era falar sobre o São João da Copa, como o futebol e o forró fazem parte da cultura nacional, como o imaginário popular é de todo tomado por esses fundamentos da nossa cultura.      Mas vamos subir o rio...      Fala-se muito da modernização do forró: forró universitário, forró eletrônico, arrocha e coisa e tal. Fala-se: tradicionalistas, forró pé-de-serra, forró erudito e tal e coisa. O que está por trás e pela frente de tudo isso é a crescente profissionalização do setor e a descaracterização das tradições populares.      O produto que nos apresentam todo dia.      Sem muita reflexão percebemos no São João antigo, comparado com o atual, dois elementos de suma imp...

Por fim um soneto...

Soneto da Despedida                       “E ondas seguidas de saudade,                        Sempre na tua direção,                        Caminharão, caminharão,                        Sem nenhuma finalidade.”                                          Cecília Meireles Nosso amor não nasceu na poesia Nem morrerá com chuva após o vento, Também não m...

Concurso Nacional de Poesia Colatina-ES

Quem quiser baixar ou ler a coletânea, da qual participo com o poema Terceira Margem, é só clicar no endereço abaixo: http://www.culturacolatina.com.br/2009/arquivos/eBook%20Concurso%20Nacional%20de%20Poesias.pdf

TRÊS RAÇAS, UMA MUSA

          Passei um bom tempo sem prosear aqui. Andei corrigindo a minha vida, estava uma bagunça por fora e por dentro. Resolvi por fora fazer um curso técnico, sou estudante do IFBA, e por dentro resolvi dar atenção maior ao mais natural e importante dos sentimentos (leia os dois sonetos postados) dum homem – a mulher.      Sinto agora que posso prosseguir minha caminhada com menos ilusões.      Contudo, não parei meus estudos e produção em literatura e música popular brasileira. Entre uma aula de física ou de programação li o saudoso Sílvio Romero . Este, como muitos sabem, desenvolveu no final do séc. XIX ao início do XX uma vasta pesquisa e crítica sobre nossa literatura popular. Para o pesquisador nós somos um produto da mestiçagem de três raças: o negro, o índio e o branco. Quando não somos mestiços na cor, somos nas idéias. O que chamou minha atenção e me clareou o juízo foi como se p...

Acho que fiz outro soneto...

Sombra do meio-dia Como seu andar distrai, me dá prazer, Destrói o que tem em mim de desumano, Na sombra dum céu cinza me faz ver A natureza clara noutro plano. Assim, sem salto, posso perceber As curvas que seu corpo faz, sem dano De nessas curvas minha mão perder Seu detalhe escondido em cada pano. E despido de orgulho vai meu ser, Beijar a flor que brota sem engano De no néctar dessa flor deter, Apenas numa, toda estação do ano. Mas pobres rimas não vão descrever, Que agora deixa são... me deixa insano.

O FILHO QUE BATEU NA MÃE NA SEXTA-FEIRA SANTA E VIROU O CÃO

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Por Paulo Luz                                       Nas bandas de minha terra                                       Se vê de tudo nesse mundo,                                       Vemos até índia crente                                       Com um filho v...

Seu Jiló Apontando

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Por Paulo Luz

Acho que fiz um soneto...

Soneto Bahia, terra imensa de tristeza, Tem uma dor em mim que vem e volta, Queria que ninguém tivesse acesa A chama dessa dor que o verbo solta. De não ter feito amor com a nobreza: O amado quando a amante sempre o escolta A cuida com carinho, com firmeza De ser tranquilo mesmo na revolta. Agora meu olho como cristal d’água Carrega de mim mesmo amarga mágoa... Tem uma dor em mim que vem e volta. Quem sabe volte a tempo essa doçura, Volte de novo por minha ternura... Tem uma dor em mim que vem e volta. 06/02/2010

CONVERSA

-->             Aqui tenho conversado sobre várias coisas, às vezes em tom afetivo e não afetado, outras em um tom efetivo mas afetado. Os anos de educador produziram seus efeitos negativos – a conversa professoral. Quanto mais pensamos que sabemos conversar aprendemos que não. O uso do cachimbo faz a boca torta. Criamos modelos para a conversa e se esses modelos não são flexíveis às nossas afetações acabamos conversando mal.             Escreveu Pascal em seus Pensamentos que, “Da mesma forma que se estraga o espírito, se estraga o sentimento. Espírito e sentimento se forma pela conversa. Espírito e sentimento se estragam pela conversa. Assim as boas ou más conversas o formam ou o estragam.” Concordo. Sabe-se que temos boas conversas que fazem mal ao espírito, outras más fazem bem, temos inda o conversado e desconversado e o não conversado mas feito. Tudo isso ...