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Projeto Emredando a leitura - Espaço Cultural da Câmara

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                                              Dançado em Cantiga de Roda

Alguns poemas de circunstâncias - escritos na rede

Poema entre diálogo e foto --> Quem sabe a moça é árvore, Brota quem sabe no vento, Brota a sandália de couro Ou brota em outro elemento. Brota nas folhas cabelos Q ue escondem a fruta face, Brota do branco vestido O que só em imagem nasce. Quem sabe é filha de santo, Baiana cravo e canela, Quem sabe a pose é de choro, Choro calado sem vela. Quem sabe foi nada disso, Só metáfora e não cabe, Primeiro parto do espírito Num segundo que não sabe. Sei que não sei, sei que brota Um verso num curto dia E a moça que brota o verso O dará ou não alforria. Em Resposta Não consigo ser o sol Que também está em Marte, Não consigo ser a lua... Tão humilde é minha arte Que eu nem consigo ser livro, Só consigo ser encarte. Martelo Agalopado Escrever um martelo bem composto, Como faz um bom mestre no improviso; Saber qual esse chão que agora piso E saber separar posto do imposto; Poesia ser mais que esse desgosto, Não cabe...

Feira de Arte - Itapicuru

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                                       Recitando poesias de poetas locais. ... Evento que fui convidado pelo coletivo poético Além das Sete Praças.

A TROVA E O TROVADOR

                               Coração que bate-bate...                               Antes deixes de bater!                               Só num relógio é que as horas                               Vão passando sem sofrer.                                                 Mário Quintana          Irei começar com as definições. A trova hoje em dia é a forma poética composta duma só estrofe de quatro versos em redondilha maior, seu esquema de rimas é (abab). Na trova popular, como a de Mário Quinta...

Feijão com Poesia no Mimosa

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Eu cantando. Seu Zé, mestre de samba de roda do sertão, no pandeiro. O jovem e astuto Palito, repentista embolador, alegre dançando... Dia bom de pura manifestação na rua. Foi ontem, no Bar de Santos, Rua do Sodré, 2 de Julho. Na foto, cortado no cantinho, Tiago, morador do bairro e integrante do Coletivo Poético para Além das Sete Praças que nos convidou para o evento.

O NOSSO TEMPO

           Tem tempo que não escrevo uma prosa para o blog.  Nasce gente e morre gente. Eu me perco e me encontro no destino que faz seu tempo em linha curva. Nosso tempo é tempo de pesquisa e descoberta... dos talentos maltratados, dos planos frustrados... dos poemas desiludidos.           Bom tempo nós vivemos. Não existindo outro tempo, além desse presente de Prometeu, nós ficamos com ele mesmo. Sem lutas de ideias, sem causas nobres, sem pensar no futuro além das baleias, vamos seguindo, rodopiando nessa grande nau dos insensatos.             Mas dirão: “ Lá vem o poeta com filosofia... só sabe criticar, nada faz além duns versos bobos”... Ou dirão os mais astutos: “ Poeta é só poeta e nada mais”. Então, ou devo calar para sempre ou fazer algo além duns versos pobres e medíocres.           Na certeza que faço quase nada no quase nada q...

DÉCIMAS

DO TODO DA PARTE PRIVADA                                       O todo sem a parte não é todo,                                       A parte sem o todo não é parte...                                                                      ...

PEQUENO ROMANCE DE AMOR

Ela uma bela evangélica, Ele um poeta pagão, Um dia os dois se encontraram Por coisas do coração, Sendo amor sempre semente Que brota com pés no chão... Ela dele não sabia Além duns versos que fez, Ele dela só sabia Que acordava o Sol a seis E trabalhava até a noite Num suor de mês a mês. Sendo o amor sempre semente Que brota num sim ou não, Ela resolveu a partida Por um outro cidadão, O poeta calou o verso Não fazendo mais refrão. Ela ficou sem dormir, Mas a vida continua... Passando tempo quem sabe Vê seu sorriso na lua, Lembra do poeta triste Que sumiu da vida sua.

Segunda Trova para Lee

No interior se vê estrela, Dois arco-íris no horizonte, O rio que passa calmo, A água que brota da fonte. Rabiscando traço versos... Penso em você lentamente; No interior se vê estrela, O céu é o amor em semente. De dia gente na praça Jogando conversa fora, Dois arco-íris no horizonte, Um amor que nasce agora. O rio que passa calmo E calmo passa a canoa, Penso em você novamente Pensamento voa a toa. Quem sabe rio seremos, Água a brotar no horizonte, Uma noite que vê estrela, Manhã de arco-íris na fonte.

Dia das Bruxas

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Por Paulo Luz

QUEM PADECE SE APAIXONA

Trova para Lee Dizem que os samurais, Lee, Após um dia de guerra, Escrevem lindos poemas De sol e lua, céu e terra... Pena não sou samurai, Pois seu traço me distrai Para o horizonte que se erra... E no horizonte que eu erro Seus olhos são sóis se pondo, Seus lábios lua sorrindo, Seu sorriso o céu compondo, Mas não sou samurai, Lee, Sou apenas um aprendiz Desses versos que arredondo. Nos versos arredondados, Você em todas as flores, Você em todos os passos, Você em todas as cores, Você em minha alegria, Você na noite e no dia, Nos cantos e nos cantores. Sei que os cantos dos cantores São tantos pra lhe encantar, E esses versos tão pobres Como pobre é meu falar, Queria ser samurai, Aquele que nunca cai Pela graça dum olhar.

A TERRA DO BARRO

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                                     Barro de valor                               Quando ele pisado                               Depois repisado                               Pelo amassador,                              ...

O Corpo do Verso I

      Quando o caso é extenso melhor dividir em partes.      Em outro pequeno ensaio postado aqui falei do ritmo poético*. Prometi falar da métrica. Aconselho aos navegantes retornar a ele. Não que se trate de assunto difícil, mas é que a ordem do dito aqui pode alterar o produto do lido aí.      Como não tenho cumprido muitas promessas feitas nas postagens anteriores, sem muita demora vamos ao assunto.      O ritmo é o espírito das palavras, o metro é o corpo do verso. Ou, academicamente falando, o metro é o modelo, a competência da qual o ritmo é a realização individual, o desempenho, a performance.      No mesmo metro existe vários ritmos. Existe o mesmo ritmo em metros diferentes. E isso serve tanto pros poemas de verso dito livre como pros de métrica silábico-acentual.              ...