Alguns poemas de circunstâncias - escritos na rede

Poema entre diálogo e foto



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Quem sabe a moça é árvore,
Brota quem sabe no vento,
Brota a sandália de couro
Ou brota em outro elemento.

Brota nas folhas cabelos
Que escondem a fruta face,
Brota do branco vestido
O que só em imagem nasce.

Quem sabe é filha de santo,
Baiana cravo e canela,
Quem sabe a pose é de choro,
Choro calado sem vela.

Quem sabe foi nada disso,
Só metáfora e não cabe,
Primeiro parto do espírito
Num segundo que não sabe.

Sei que não sei, sei que brota
Um verso num curto dia
E a moça que brota o verso
O dará ou não alforria.

Em Resposta


Não consigo ser o sol
Que também está em Marte,
Não consigo ser a lua...
Tão humilde é minha arte
Que eu nem consigo ser livro,
Só consigo ser encarte.


Martelo Agalopado


Escrever um martelo bem composto,
Como faz um bom mestre no improviso;
Saber qual esse chão que agora piso
E saber separar posto do imposto;
Poesia ser mais que esse desgosto,
Não cabendo na taça de cretino;
Ser na minha terrinha só menino
A zombar de quem acha sério mundo,
Um mundinho que raso não vai fundo,
No qual funda a tristeza e desatino.






Epigrama p’ro poeta e sua taça

Em um recital na igreja
Bebendo o sangue de Cristo
Vocês precisam ter visto
Pra quem não viu agora veja
Um dos poetas que almeja
Que seu poema tenha asa
Trouxe uma taça de casa
Enquanto nós, descartáveis
Brindávamos miseráveis:
Um viva a Faixa de Gaza!




Comentário p'ra foto de moça linda



Sorriso lindo 
De moça bela
Sorriso dela
Assim fui indo
De foto a foto
E o que mais noto
No que revela
É riso lindo
De moça bela.



Desculpas por uma indelicadeza


Linda moça linda,
A pouco no samba
Fui de todo um bamba
Que ao copo não brinda,
Pois moça bem vinda
Com sua presença
Se pede licença
Um bamba acompanha,
Desculpe a tamanha...
Minha falha imensa.





Comentário para um blog de pingentes




Gostaria de saber
que mãos belas serão essas
que à pedra orna em fino trato
E por onde andas imersas
quando a jóia faz em ato.





Comentário para um amigo no Facebook


Quem governa o mundo antigo
Não governa o mundo novo
Governar agora nada
É só sofrer com o povo
Melhor é matar a Harpia
Por matar o novo no ovo...

Se para matar a Harpia
Tem que nascer mais um ovo
E se não precisa estar
No mundano com o povo
Ou viramos viramundos
Ou construímos mundo novo...






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