Viver é mais que um soneto

Foto: Sidney Zaratustra

Soneto X
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Da Vida


Vi tanta vida nesse breve orvalho
Como tantas estrelas vi no céu;
A vida sobe e cai de galho a galho,
Se apresenta e se esconde no seu véu.

Vidas de quem procura sempre atalho;
Vidas de quem só quer apenas mel;
Vidas de sofrimento, de trabalho,
De loucuras por baixo do chapéu.

Tanta vida que às vezes embaralho
E por muito não fiz o meu papel
Nesse pouco do pouco que batalho.

Se a canto do pião ao menestrel,
É que corto essa vida e levo um talho,
Pois nela sou juiz, também sou réu.


Ouro Preto – MG , 22 de fevereiro de 2015

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